quinta-feira, 3 de abril de 2008

Músicos mal agradecidos!! - Por Ramon Tessmann


Creio que quando se fala em coração agradecido e firme no Senhor, em período de sofrimento, não nos vem à mente outro nome senão o de Jó. Como é de nossa ciência, a verídica história de Jó é bastante comentada e estudada em nossos sermões e estudos bíblicos, mas infelizmente, as lições contidas neste ocorrido não parecem entrar em nossas mentes. Apesar de ser uma história preciosíssima e fácil de ser entendida, temos dificuldade para agir como Jó agiu, em determinadas situações de nossas vidas. Vou explicar.

Jó era um homem obediente e temente a Deus (Jó 1.5). Por todo o capítulo 1 lemos que ele perdeu seus filhos, filhas, empregados e rebanho ao mesmo tempo. Era uma notícia catastrófica atrás da outra. Enquanto um empregado ainda falava chegava outro e relatava outra tragédia. Evidentemente, este é um tipo de sofrimento que não cabe dizer: “...eu imagino como Jó sofreu...!”. Não! Não podemos sequer imaginar o que este homem passou! Apesar disso ele se levantou e disse: “...nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.” As Escrituras continuam dizendo: “...em tudo isso Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.” Gente, como este homem conseguiu bendizer a Deus numa situação como esta??Quando uma pessoa perde um ente querido, ela não consegue nem falar direito por causa da dor. Por algum tempo só pranteia... e nada mais! Realmente, eu não consigo imaginar o estado de Jó naquele momento, mas sei que foi fiel a Deus, louvando a Ele num período dificílimo de sua vida.

Mas vamos trazer esta história ao ministério de música. Eu gostaria de saber porque hoje, nós músicos, somos tão murmuradores, mal agradecidos e rabugentos com Deus, com os irmãos e com o mundo??É verdade! Porque temos que ter um caráter tão difícil? Constantemente, pessoas com quem converso ou que me contatam, reclamam tanto do seu ministério, que isso me faz crer que preciosas bênçãos de Deus estão sendo perdidas e o louvor não flui como deveria. Algumas frases são clássicas:

» O meu pastor é tradicional demais! » A igreja só reclama do volume dos instrumentos! » A acústica da igreja é péssima! » Deveríamos ter instrumentos e aparelhos melhores! » O líder não me entende! » O meu líder pega muito no meu pé! » O meu líder não dá a mínima para o grupo de louvor! » Eu não gosto de tocar esta música! » Era eu que deveria ter tocado guitarra hoje! » Era eu que deveria ter ministrado! » O baterista está errando demais! » Em nossa igreja o louvor não flui!

Como somos murmuradores, não é mesmo? Irmão, nós estamos perdendo as bênçãos de Deus por causa deste problema! Nós reclamamos por muito pouco! Por acaso mataram a nossa família? Por acaso perdemos todos os nossos bens? Por acaso o nosso corpo foi tomado de chagas a ponto de nos coçarmos com cacos de telha? Não??Então, porque não bendizemos a Deus pelo que ele tem nos dado.

Querido leitor, vou ser sincero com você. Se você acha que o teu pastor é tradicional demais, não reclame dele, porque foi este o pastor que Deus escolheu para te pastorear. Seja agradecido e ore a Deus sobre isso! O mesmo ocorre com o teu líder, com os músicos de tua igreja, com os irmãos da igreja, com a aparelhagem de som e até com a acústica do templo!!Músico, não reclame por pouca coisa, mas tenha um coração grato e firme em Deus, disposto a louvá-lo sempre! Sem dúvida alguma, nós não sofremos nem 10% do que Jó sofreu, não é mesmo?



Um abração em Cristo Jesus
Ramon Tessmann
http://www.ramontessmann.com.br
ramon@vidanovamusic.com

Fonte: http://www.vidanovamusic.com/artigos.asp?nart=21

segunda-feira, 17 de março de 2008

Banda: fazendo a lição de casa ---- Por Renata Sturm

 

Cheios de boas intenções, mas mal-preparados. Muitos grupos de louvor acabam se dissolvendo em conflitos internos de menor interesse antes mesmo de dar os primeiro frutos. Esta história não precisa ser a do seu (futuro) grupo — isto é, se você fizer a lição de casa. “Os músicos tentam se realizar musicalmente tocando na igreja. Esta conduta é o prenuncio da ruína de uma banda”, diz o produtor e arranjador musical Maurício Abachioni, membro da Igreja Comunidade da Graça. Abachioni sabe o que diz. Mesmo apreciando o grupo de louvor da sua congregação, ele se realiza musicalmente como membro de uma banda que toca músicas típicas européias. Para o produtor, vários conflitos entre os membros de um grupo de louvor podem ser evitados quando cada integrante sabe a sua função. “Uma banda de fundo de garagem só tem que se preocupar com a performance; já a de louvor precisa saber que seu papel é colaborar com a igreja, motivá-la a participar da música”. Fácil de falar, difícil de pôr em prática.

O foco principal dos músicos de uma igreja deve ser sempre a melodia cantada, explica o produtor, pois esse é o canal de participação com o público. “O músico precisa ser humilde e saber que seu papel é acompanhar os membros da igreja”, diz Abachioni.

Outro erro comum que até os músicos mais experiente cometem é querer reproduzir no púlpito as gravações de um CD, com solos virtuosos, passagens dissonantes e longas introduções. Diante disso, Abachioni aconselha o que parece óbvio, mas que muitas bandas de louvor insistem em ignorar: “sempre adapte as músicas ao estilo da sua igreja. O tom cantado pelo intérprete pode ser alto demais para as mulheres ou baixo demais para os homens. A ‘cantabilidade’ é o mais importante”. E o mais difícil: “escolha as músicas certas e deixe de lado suas influências musicais”.

Na prática – Com isso em mente, não são necessários muitos recursos técnicos e instrumentais para obter sucesso. Segundo o produtor, três elementos — harmonia, ritmo e melodia — e dois instrumentos já dão conta do recado. Para a harmonia, use violão ou teclado; para o ritmo, bateria, percussão ou baixo; e para a melodia, voz. Simples assim? “Seria se cada membro do grupo soubesse qual é a sua função e a exercesse bem. Conjuntos pequenos não raro são mais funcionais que os grandes”, afirma.

O ensaio é outra parte importante para que os papéis de cada integrante estejam bem definidos. E nada de ensaios longos demais! O importante é a qualidade. Se a sua banda ainda é novata, faça uma lista de 15 músicas e as pratique até serem capazes de tocá-las de olhos fechados. “Ensaiar diferentes músicas para cada culto é perda de tempo, pois a banda não tocará bem nenhuma delas”, diz Abachioni. Para não perder muito tempo, prepare em casa um mapa de cada música. Nele você poderá indicar tamanho da introdução, voltas, corpo e fim da música. Fazer dois ensaios — um com os vocais e outro com os músicos — também evita que membros da banda fiquem ociosos. O ideal é cada grupo ensaiar separadamente e depois juntos para criar a harmonia. “Abandone suas vaidades, não se preocupe tanto com o seu retorno, escute os outros instrumentos e garanta uma banda bem-sucedida e saudável”. Eis uma boa sugestão.

Renata Sturm é jornalista

Fonte: http://www.vineyardmusic.com.br/treinamento-artigos.asp?p=1&idA=95

Clareza no louvor - por Ramon Tessmann

                      

Em um estudo anterior eu comentei sobre os ritmos musicais que utilizamos para louvar a Deus. Apesar de mostrar que os gostos musicais estão relacionados com o lugar onde nascemos e crescemos (cultura), defendo veementemente a clareza que nós, como músicos cristãos, devemos ter em nossos cânticos.

A questão da clareza dos cânticos que entoamos nas comunidades tem sido um assunto polêmico, como muitos outros. Eu vou tentar através de alguns tópicos, esclarecer melhor estes temas para que os irmãos venham a ter um maior entendimento sobre assuntos muitas vezes não são encontrados nas Escrituras.

Bem, muita gente têm questionado sobre a clareza de estilos musicais como o Heavy Metal o Rock pesado, etc, e eu muitas vezes assim o faço. É difícil imaginar que alguém consiga louvar a Deus num ambiente tão barulhento, bagunçado e infelizmente em alguns casos violentos. Muitas igrejas têm se transformadas em casas de shows que se assemelham em muito com às do mundo. Isto sem contar o volume da música e às vezes a qualidade instrumental e qualidade dos músicos que é muito baixa.

Bem, se alguém, ao ler este estudo, achar que estou sendo duro demais ou tendo a "mente fechada", te convido a irmos às Escrituras Sagradas. A Bíblia relata que quando Moisés descia do monte com as tábuas da lei, ele e Josué ouviram um cântico que criou confusão, e que trouxe dúvidas ao próprio Josué. Ele não conseguiu compreender o cântico naquele momento: "Ouvindo Josué a voz do povo que gritava, disse Moisés: há um alarido de guerra no arraial. Respondeu-lhe Moisés: Não é alarido dos vencedores nem alarido dos vencidos, mas alarido dos que cantam é o que ouço. Logo que se aproximou do arraial, viu ele o bezerro e as danças; então, acendendo-se-lhe a ira, arrojou das mãos as tábuas e quebrou-as ao pé do monte..." ·

Sabe o que foi que aconteceu nesta história? Moisés não conseguiu discernir o que era aquela algazarra, por causa do barulho e da bagunça que estava acontecendo. Eles só conseguiram entender quando se aproximaram do arraial. Moisés não poderia dizer se aquilo era louvor a Deus ou não. Eu te pergunto: Será que isto está acontecendo em nossos dias? Querido irmão, poderia a Bíblia ser mais clara?

Se você deseja louvar a Deus ou evangelizar um público não cristão, pelo menos use a tua música com clareza para atingir o teu propósito. Certa vez, um irmão me disse: "Nós também podemos nos divertir depois que aceitamos Jesus". Concordo, mas cantar músicas em ritmo pesado com a finalidade de buscar diversão não é louvar a Deus, na verdade você estará atrás de prazeres para você mesmo! E acredite, você não estará evangelizado se a mensagem da música que você estiver cantando não for clara. Ninguém dará ouvidos à música e sim às batidas da bateria, aos solos e aos gritos do vocalista.

Conclusão

Como eu sempre digo, todos os ritmos estão disponíveis a nós, mas nem todos nos ajudarão a evangelizar ou a criar um ambiente de louvor a Deus. Temos liberdade para utilizarmos todos os ritmos, mas nem todos serão apropriados para determinadas ocasiões. É neste ponto que os músicos devem ter sabedoria para ouvir a voz de Deus e pedir direção a Ele.

Um abração em Cristo Jesus e até a próxima,
Ramon Tessmann
www.ramontessmann.com.br

Fonte: www.adorando.com.br

segunda-feira, 3 de março de 2008

Como Oferecer o Sacrificio de Louvor - Gerald Rowlands

Extraído da Seção E2/Página 97 do livro "O Cajado do Pastor" de Ralph Mahoney.

"1. Determine de Antemão que voce vai louvar a Deus: Faça isso em todo tempo em qualquer situação.

2. Comece a faze-lo agora mesmo: Louve a Deus todos os dias e o dia todo. Não importa o que possa surgir no seu dia,  louve a Deus nessa situação, por ela e  através dela. Entre no bom hábito de louvar a Deus continuamente.

3. Se os problemas vierem  no seu caminho, ou voce se encontrar em dificuldades, comande-se a louvar ao Senhor. Davi disse: Aquele que oferece sacrificio de louvor Me glorificará; e àquele que bem ordena o seu caminho Eu mostrarei a salvação de Deus. (Sl 50:23). Comande-se a louvar a Deus na sua situação difícil, e Deus preparará uma forma de libertação para você.

4. Comece a faze-lo pela fé. Fale audivelmente palavras de louvor. Pela fé, agradeça a Deus em voz alta, ainda que você talvez não compreenda pelo que está agradecendo a Ele. Comece a louva-Lo por haver lhe trazido uma libertação. Você ainda nao pode ver de que maneira. Você ainda nao sabe como Deus o libertará, mas já está agradecendo-O e louvando-O do mesmo modo. Você já está na vitória.

5. Uma vez que você começou, continue louvando-O.  Deixe que seus louvores se elevem cada vez mais alto. Deixe queo Espírito de louvor realmente se apodere de você. Grite louvores a Deus. Cante para Ele. Dance diante d'Ele. Glorifique-O e engrandeça o Seu Nome. Ele trará uma forma de salvação pra você."

 

domingo, 17 de fevereiro de 2008

O DIA EM QUE SÉRGIO PIMENTA CHEGOU NO CÉU

PAPO NO BOTEQUIM CELESTE

ou

O DIA EM QUE SÉRGIO PIMENTA CHEGOU NO CÉU

Por Isaias de Oliveira

Aquele parecia ser apenas mais um dia tranqüilo em terras celestiais. Quem corresse os olhos pelo lugar, veria Abraão, Paulo e Jeremias conversando animadamente enquanto praticavam o cooper matinal ou Moisés narrando pela milésima vez, a um grupo de recém chegados, toda a epopéia da travessia do Mar Vermelho. 

Já no barzinho da Academia de Poetas Celestes, a animação corria solta enquanto nas caixas de som rolavam músicas do disco de Vento em Popa. Contrastando com a tranqüilidade das músicas, uma angelical garçonete transitava apressada entre as mesas carregando bandejas de papos de anjo, pastéis de santa clara e outras iguarias divinas. Numa mesa um pouco mais afastada, dois homens conversavam calma, serena e tranqüilamente enquanto beliscavam toucinhos do céu: eram Janires e Jairinho. 

A conversa seguia o rumo de uma nova parceria musical quando a garçonete se aproximou com ares de novidade. Depositou a bandeja vazia na mesa e curvou-se antes de dar a notícia.

  • - Vocês já sabem quem chegou na área? – sem esperar resposta, a garçonete foi logo dizendo – Sérgio Pimenta.
  • - Sérgio Pimenta? - perguntou Janires dando um salto da cadeira.
  • - Nosso poeta maior? – diz Jairinho imitando o gesto de Janires
  • - Você tem certeza, irmã? – indaga Janires ainda perplexo.
  • - Acabei de cruzar com ele nos corredores – confirma a garçonete meio alvoroçada – não foi ninguém que me contou não, eu vi.
  • - Que coisa, rapaz – comentou Jairinho deixando-se cair na cadeira – moço tão novo...
  • - É nóis não era? – emendou Janires meio gaiato, depois, completou um pouco mais sério e sentando-se. – Cara, não sei se choro ou dou risada. Pô, Jairinho, o cara não está mais na terra... vai ficar com a gente, agora... Maneiro.
  • - Traz ele pra cá – pede Jairinho já puxando uma outra cadeira pra junto da mesa.
  • - E já diz pra ele trazer um violão – completa Janires. 
  • - Assim que ele terminar de preencher as papeladas lá no escritório – diz a garçonete enquanto recolhia com destreza pratos e taças que estavam sobre a mesa.
  • - Santa burocracia – comenta Janires sem esconder o sorriso.
  • Minutos depois a solícita garçonete chega trazendo o novo hóspede que é recebido calorosamente pelos dois. Depois das apresentações formais e abraços os três sentam-se à mesa. A garçonete chega logo em seguida com a bandeja cheia e abastece a mesa com fartura.
  • - É sempre assim, por aqui? - pergunta Pimenta com a inconfundível voz grave e o sorriso largo iluminando a face.
  • - Não – explica, Jairinho – só quando chegam as celebridades. Os três caem na risada dando uma idéia de como seria a convivência entre eles.
  • - Então, irmão, me conta como estão as coisas lá embaixo – perguntou Janires tocando levemente o braço de Pimenta.
  • - Não mudou muito desde que vocês chegaram aqui, não – respondeu - tem muita gente achando que está fazendo música, outras mais preocupadas com grana, prestigio, sucesso e tem aquela turminha de sempre, pequena, lutando com disposição para que a música cristã não caia totalmente na mesmice.
  • - É, então não mudou muita coisa mesmo... – ponderou Jairinho – é porisso que eu estava pensando numa coisa, você vai fazer uma falta danada lá embaixo...
  • - Vou não, Jairinho, ficou muita gente boa por lá. Tem o João Alexandre, o Jorge Camargo, Rehder, Bomilcar, Guilherme, Gerson Ortega, Josué Rodrigues, enfim...
  • - Até aí você tem razão, mas minha preocupação, Pimenta, é com o futuro – diz Janires cofiando a barba e meio introspectivo – com o futuro... Quem vai trilhar os teus passos? Esse lance dos grandes esquemas de gravadoras, super produções, da grana, da vaidade acima dos interesses do Reino vai acabar complicando tudo. O que tú acha?
  • - Janires – começou Pimenta enquanto se ajeitava melhor na cadeira – quando eu estava vindo pra cá esta preocupação bateu forte em mim também. Afinal de contas esses caras todos que citei já não são mais crianças. Mas aí lembrei de uma noite em que resolvi ir a uma igreja no subúrbio do Rio. Lugar pobre, meio esquecido. Fui pra assistir mesmo, não ia cantar. E lá, cara, conheci um moço, quase menino, que cantou sozinho com um violão até meio detonado. A música daquele menino, que me pareceu muito tímido, me tocou tanto, passou tanta verdade, tanta poesia... dava pra sentir claramente que a graça de Deus estava sobre a vida dele, entende? Cada música linda que ele compõe... saí de lá sem poder conter as lágrimas.
  • - Sério, vélho? – questionou Janires se aproximando ainda mais de Pimenta. – Conta mais.
  • - Pois é, rapaz – continuou Pimenta – meio de longe continuei acompanhando os passos do moço e as noticias que me traziam eram as melhores possíveis. Ele é cristão desde garoto, é sério, comprometido com o reino mesmo. Até acho que ele foi tocado pela tua música, Janires, teus rítmos, tua descontração. O menino lá é cheio de brasilidade.
  • - Então puxou pra tú, também, irmão – complementou de primeira Janires dando uma sonora gargalhada.
  • - É, pode ser – pensou Pimenta. O que eu sei é que vê-lo e ouvi-lo cantar, com toda sua simplicidade, humildade, poesia e talento me encheu de esperanças.
  • - Me diz uma coisa, Pimenta – questionou Jairinho – É como é o nome do moço?
  • - O nome dele é Gerson Borges, carioca como eu, nascido no subúrbio.
  • - Tem som até no nome – brincou Janires – já é um bom começo.
  • Sérgio Pimenta riu com gosto, depois sorveu com prazer o último gole que restava na taça e conclui.

- E isso não é tudo, depois, conversando com amigos, fiquei sabendo de outros caras tão jovens quanto ele que estavam começando a despontar aqui e ali. Caras com o mesmo talento do menino que eu conhecera. Me falaram de um tal de Silvestre em São Paulo, uma dupla de meninas que cantavam muito, Cíntia e Silvia, se não me engano, um rapaz chamado Tiago, de Campinas, uns caras do Nordeste, Diamanso e Carlinhos Veiga, um poeta chamado Stênio...

- Não diga, rapaz – diz um espantado e feliz Jayrinho.

- Toda semana ouvia um nome novo: Glauber, Priscila, Jonas, Fabinho, Gladyr, tinha até um argentino fazendo música brasileira com competência, não me lembro o nome dele... Cláudio!!, lembrei. 

Janires, a esta altura estava de pé, visivelmente emocionado e já havia enchido as taças novamente. Depois de servir Pimenta e Jayrinho, ergueu sua taça na direção dos amigos como que propondo um brinde. 

- Você não sabe o quanto me alegra ouvir isto, Pimenta. Tuas noticias me encheram de esperança. Que Deus levante, a cada dia, gente em todos os cantos desse nosso Brasil sofrido. Gente cheia de graça e talento, que coloque Seu reino acima de todas as coisas. Que vivam pra servir ao Mestre das Canções, se servindo dos nossos mais variados ritmos e sons.

- Falou bonito, moço – diz Pimenta enxugando os olhos marejados na manga da camisa.

- Falou tudo – completa Jayrinho

Os três brindam, bebem, sentam-se e continuam o papo que tinha tudo pra durar uma eternidade.

Fonte: http://www.buenaonda.art.br/html/papo_no_botequim_celeste.html